As versões introdutórias do Dungeon & Dragons podem atrair novos jogadores de RPG?

Depois de sensibilizar os meus formandos a um tipo de actividade lúdica diferente do habitual mesmo que esta estivesse envolta de pedagogia, o tal jogo de interpretação de personagens que organizamos e onde os meus “jogadores-formandos” representaram os papéis de homens primitivos possuidores de um vocabulário reduzido e com um grave de problema de sobrevivência, a porta estava aberta para que eu lhes mostrasse o roleplay sob outra forma, esta mais lúdica que pedagógica: decidi mostrar-lhes duas versões introdutórias da grande referência dos RPGs de mesa (tanto histórica como presente) que é o Dungeon & Dragons da Wizards of the Coast!

Tenho em minha posse a versão introdutória da edição 3.0 do jogo, o D&D Basic Game, e o recém-editado D&D Roleplaying Game Starter Set, baseado na 4ª edição, duas caixas cheias de material, fichas de personagem, dados, mapas, secções e salas da masmorra em cartão, e pequenos folhetos ou brochuras. O propósito inicial das duas, pelo que tenho lido por aí, sempre foi de estas serem uma alternativa barata mas limitada à introdução dos roleplaying games e ao D&D através do uso do conjunto dos três livros básicos de jogo, Player’s Handbook, Dungeon Master’s Guide e o Monster Manual, que exceptuando esta ou aquela promoção são no conjunto muito caros, por volta de 65 euros. As duas versões têm entre si algumas diferenças apesar do preço se manter na mesma reduzido: comprei a 3.0 na Amazon por cerca de 15 euros e a 4.0 comprei-a na loja Tema do Colombo por cerca de 18 euros. Contando que se passaram uns anitos desde a primeira compra, o advento da pseudo-crises económicas e o facto que as lojas físicas terem de aplicar preços mais caros, o preço é quase o mesmo.

Além das diferenças de regras entre si, pois o jogo evoluiu nesta nova edição de modo no sentido de permitir uma experiência de jogo mais focada na acção táctica com uma roupagem de high-fantasy quasi-medieval e incluem raças e classes de jogo diferentes, existem diferenças entre as duas caixas introdutórias. A primeira caixa de que falei inclui 16 miniaturas, que incluem as dos jogadores e os monstros usados na aventura pronta-a-jogar, fichas dos personagens pré-construídos que até ilustra os dados que se vão usar!, um folheto com as regras básicas para se começar a jogar e um manual de regras avançado que permite criar personagens que sejam da classe e raça dos personagens pré-construídos até ao terceiro nível e inclui a tal aventura pré-escrita e os monstros nelas listados. A segunda inclui marcadores de cartão para os monstros do seu “mini-manual” de monstros e as cinco personagens pré-construídas, também um folheto com as regras básicas para se começar a jogar e um “mini-manual” de Mestre de Jogo que não permite a criação de novos personagens mas apresenta uma mini-aventura composta por três encontros (ou seja situações de conflito entre os personagens e a o mundo perigoso onde vivem). Por outro lado possui informação pertinente para se criar novos encontros usando quase todos os monstros adequados aos três primeiros níveis dos personagens como também usando armadilhas, desafios de perícia que não sejam bélicos e outros conselhos úteis de criação de cenários de acção vibrante e atribuição de recompensas e por isso não duvido que a jogabilidade seja grande. É de notar contudo que a escolhas de evolução dos personagens já está pré-delineada e poderá ser um detractivo para jogadores mais experientes.

Contudo muitos destes pormenores que enunciei e alguns deles bastante atractivos para os conhecedores escapam aos futuros jogadores de RPG que estou a tentar inserir na rede social de roleplayers. Como por exemplo o facto de que a nova caixa introdutória não trazer miniaturas, o que de certo modo vai ao encontro da nova estratégia de venda de miniaturas de D&D da Wizards que inclui pacotes semi-aleatórios com miniaturas à vista do consumidor. Não querendo falhar muito na minha aproximação não arrisquei muito e levei as duas caixas.
Os meus formandos em geral ficaram bastante maravilhados com o jogo: o detalhe e postura heróica (ou ameaçadora!) das miniaturas, os tiles (os tais cartões representativos do espaço imaginário de jogo) e as ilustrações sugestiva do manuais de jogo “venderam” muito bem a ideia do jogo. Anteriormente já lhes tinha mostrado um grande pilha de dados com várias formas que possuo (além de que criaram um d6 em cartão de propósito e de sua própria iniciativa para jogar a actividade dos homens da cavernas) e por isso já estavam familiarizados com os dados monocromáticos das caixas. Dois ou três deles estão interessados em jogar e conhecem este ou aquele amigo que pode ser também trazido para a mesa de jogo. Um dos meus formandos é jogador compulsivo de World of Warcraft e como era de esperar o Dungeon & Dragons encontrou eco naquele sua actividade dos tempos livres ficando limitado o seu entusiasmo pelas imediatas comparações com esse MMORPG que é um fenómeno à escala mundial.

Claro que não será fácil transformar esse entusiasmo num conjunto de sessões de D&D e numa possível continuidade de apego ao hobby já de maneira autónoma. A prática de jogo pode não corresponder às expectativas por diversos factores: sendo jovens adultos em percurso formativo os tempo disponível para outros hobbies já instituídos já é por si muito pouco (combinou-se em experimentarmos nas férias do Natal por exemplo e não aos fins-de-semana como eu estava a pensar originalmente), a edição ser em inglês que algum deles não dominam e até a especificidade da actividade criativa colectiva que é o roleplay aliada à aprendizagem de novas regras e condutas.

Contundo, foi mais uma pequena iniciativa, tipicamente show & tell à americana, que me surpreendeu pela positiva. Irei começar a aprender a 4ª edição com os próprios novatos apesar de ter começado com a 2ª AD&D e ter jogado um pouco da 3ª com a caixa que comprei e um pouco de da 3.5 no universo de Dark Sun na sua versão incluída na Dragon Magazine. Vou tentar usar as miniaturas do Basica Game dentro possível nos encontros já descritos da Starter Set além dos counters (ou marcadores), e se possível converter toda a grande aventura contida no Basic, que inclui um confronto infernal com um Dragão de Cobre! Espero fazer umas 4-5 sessões emocionantes com um ritmo infernal para depois levar os bravos novatos para outros vôos!

Para não falar do grande entusiasmo que alguns mostraram em jogar uma campanha baseada no animé shonen Naruto usando as regras do RPG brasileiro 3D&T (roleplay de animé e mangá de acção!) e para o qual irei usar de quase de certeza o material desenvolvido pelo Felippe Melo que está a ser publicado pelo Armageddon no blogue Inominattus. Mas disso falarei na próxima entrada do blogue.

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7 comments on “As versões introdutórias do Dungeon & Dragons podem atrair novos jogadores de RPG?

  1. Armageddon diz:

    Opa, muito legal essa transferência de informações através do Atlântico! Vou linkar vocês sem dúvida. Boa sorte a todos os rpgistas da Terrinha ;D

    • jrmariano diz:

      De nada, Armageddon! Já adicionei o Inominattus à lista de blogues aqui do Sopa da Pedra. por acaso já vos tinha adicionado no Ideonauta, o meu outro blogue em conjunto com outros pensadores portugueses de RPG. Que corra tudo bem por aí, na terras de “Hy-Brasil”. 😀

    • jrmariano diz:

      Hey Armageddon!, desculpa te falar disso aqui mas queria comentar sua entrada no blogue acerca aqui do Sopa do RPG mas não consigo devido ao filtro de spam, o WP-SpamFree da WordPress. Não dá para me ajudar?

  2. Bom jogo para você! Lutas com dragões são sempre memoráveis!

  3. kaamos diz:

    bem.. sou de vizela (norte a beira de guimaraes) e queria encontrar um grupinho pra jugar rpg agora jogo pelo irpg na net mas gosaria muito de encontrar jugadores tenho 22 ja agora ^^ e ja juguei vampiro a mascara tambem tenho o ebook de D&D verçao 3.5 assim como alguns livros de apoio

    • jrmariano diz:

      Olá Kaamos!

      Que tal te publicares um anúncio na secção de Classificados do fórum do Abre o Jogo?

      O Abre o Jogo é uma comunidade portuguesa de RPG e Jogos de Tabuleiro a que eu pertenço e do qual sou colaborador. Muitos roleplayers por lá passam à procura de grupos de jogo ou a quererem criar um. Alguns deles são do norte de Portugal (eu vivo em Almeirim que fica no Ribatejo e é bem longe de Vizela) e talvez consigas recrutar alguém da tua zona. Basta inscreveres-te e postas na tal secção de que te falei anteriormente. Boa sorte e boas “jogatanas”!

  4. Hahaha, matéria digna de Dragon Magazine mariano! gostei, tambem concordo com seu estilo de atrair jogadores novatos, já fiz a mesma coisa só que usando meu antigo Dragon Quest, da mesma série do D&D. Enfim, dê as boas vindas ao novo frequentaor do seu wordpress……vlw!!

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