Ludonautas, um projeto português de Podcast sobre RPGs

Depois de algumas participações no Jogador-sonhador e depois de alguns tentativas frustradas a tentar gravar um monocast da Sopa do RPG, lancei finalmente o desafio aos fãs portugueses para em conjunto gravarmos um podcast descontraído e a várias vozes.

O primeiro ensaio deste novo podcast, o Ludonautas, decorreu em puro improviso e auxiliado pela total generosidade e bravura do Rui Anselmo nascendo então o episódio zero só sobre Dark Sun na sua última edição, a de Dungeons & Dragons 4th Edition.

Este episódio é uma emissão bastante experimental e espero gravar nas próximas semanas um novo episódio (entre o zero e o um… um zero ponto cinco?!) com mais participantes e melhor qualidade.

De qualquer modo podem sempre ouvi-lo e comentarem por aqui com as vossas sugestões e críticas pelas quais desde já agradeço.

E toca a viajar pelos mundos da imaginação! :)

Encontro Nacional de Roleplayers – LeiriaCon 2011

Na LeiriaCon vamos juntar os vários fãs de jogos de RPG para convivermos e celebrarmos este hobby com algumas sessões de jogo e convívio. O encontro decorrerá na Quinta do Pinheiro, dias 29 a 30 de Janeiro a partir das 10h da manhã com interrupções para o almoço e jantar, encerrando ao Domingo às 20h. Gostava de convidar jogadores e Mestres de jogo para comparecer e organizar demonstrações de jogos e convívio de um modo geral.

Venham, tragam jogos e amigos.

Atreve-te a entrar nos mundos de imaginação onde tu és o jogo!

Calendário:

Sábado, dia 29 de Janeiro, 15h00m

Vampire: The Masquerade Revised Quickstart – vampiros gótico-punks em Gary, Indiana. Jogadores: de 2 a 3.

OU

Lady Blackbird – contrabandistas inter-galácticos em fuga. Jogadores: de 2 a 6.

Mais informações em:
- http://www.spielportugal.org/leiriacon
- http://www.abreojogo.com/LeiriaCon2011RPG

Sangue-frio: um RPG português

Sangue-frio – Histórias dos Últimos Vampiros” é um projecto português de RPG (ou Jogo de Simulação Narrativa segundo o seu autor) de Ricardo Tavares, criador do podcast Jogador-Sonhador. Classifico-o ainda como um projecto pois é um jogo em desenvolvimento cuja versão introdutória está disponibilizada gratuitamente na Lulu Press, aqui. Este documento tem a forma de um PDF a preto e branco, de 31 páginas e um design bastante utilitário pois a intenção desta versão (baptizada então de “Sangue-Frio: Noite das Bruxas”) era a de esta ser bastante compatível com o e-reader que o autor utilizou num primeiro playtest em Outubro do ano passado. O desenho da moldura de cada página, a sua numeração romana e o próprio fundo sugerem o design de cartas de tarô o que não deverá ser nada equívoco dado que, tal como escrevi anteriormente, o jogo baseia-se na execução um ritual vampírico onde os últimos destes seres sobrenaturais, residentes neste fim-de-mundo que é Portugal (a verdadeira finisterra no que lhes diz respeito) tentam lembrar-se do seu passado, depois de um longo período de torpor, recorrendo aos oráculos de um baralho de cartas e um diário escrito por um leal servo vampírico.

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Jogador-Sonhador e Sopa do RPG num podcast sobre o Mundo das Trevas

Finda a minha primeira participação num podcast (no episódio onze do podcast Jogador-Sonhador de Ricardo Tavares sobre Warhammer Fantasy Roleplay 3rd Edition) tenho que admitir que se afigurou na minha mente a vontade de repetir a experiência. O Ricardo revelou-se um excelente anfitrião e grande moderador de uma conversa extensa cheia de troca de ideias e em jeito de review. Fomos conversando on-line sobre essas e outras experiências (dado quão se revelaram interessantes os diferentes relatos do grupo de convidados desse ciclo específico de episódios) e acabámos por decidir em fazer mais um episódio a duas vozes.

Neste episódio, o dezasseis, o tema mais que central foi o do World of Darkness, esse universo fictício de RPG da White Wolf Game Studios que já vai na sua segunda iteração e que tem como base um reflexo negro de horror e conspiração mística do nosso próprio mundo onde cada jogador se revela ser uma das figuras clássicas dos filmes, literatura e outras fontes do fantástico ocidental, tal como vampiros, lobisomens e bruxos, de entre outros. Durante a nossa conversa de 1h13 abordámos bastantes tópicos em jeito de retrospectiva e chegámos até a especular qual seria o futuro deste na indústria e no apreço dos fãs de RPG.

Nos primeira parte falámos de como e porque começámos a jogar Vampire: the Masquerade e das impressões com que ficámos de um primeiro contacto com o World of Darkness. Discorremos sobre vários aspectos desta primeira versão de WoD culminando o fim da primeira parte na referência ao Time of Judgement, o evento editorial que encerrou este universo com um possível fim apocalíptico.
Na segunda parte, passados cerca de 33 minutos da emissão, abordámos então a nova versão do Mundo das Trevas, e falámos acerca da sua origem, das suas mudanças face à versão anterior, do seu estado actual em termos de publicações dada a recente aquisição da editora por uma empresa de videojogos e aonde possivelmente o advento do World of Darkness MMO poderá levar este universo a um novo rumo.

Portanto tragam as lanternas e os aparelhos auditivos pois fala-se de muita escuridão e ouve-se mal de vez em quando já que o Skype e a ligação de internet não ajudaram muito. Foi pena a qualidade do som não ter ficado tão boa como a da primeira vez!

Espero que todos apreciem ouvi-lo e se quiserem comentem-no aqui, no site do Jogador-Sonhador no podbean ou indo a  este tópico específico no tpkbrasil.net.

Para os olhos mais fechados: Changeling e o Sonhar

Algo que encontrei perdido num blogue meu já abandonado, adaptado de um artigo original de Bruno Gonçaves Canato:

Um changeling é um ser de contrastes – uma alma feérica presa num corpo humano, que cultiva o Glamour, a energia básica dos sonhos e da criatividade, para resistir ao frio da Banalidade, a descrença humana no mágico e no transcendental. Contudo a exposição prolongada ao Glamour pode levar ao Desvairo, a perda da razão e existência humana, e a inevitável exposição à força da Banalidade conduz igualmente à Ruptura, a obliteração da alma feérica. Como se isso não bastasse para que um changeling fosse um ser dividido, todos os Kithain – o nome ao qual respondem – têm um lado Seelie e outro Unseelie, as duas Cortes a que estes prestam fidelidade e são muito mais do que meras instituições sociais.

Os changelings vivem uma realidade dupla. Mesmo antes de passarem pela Crisálida – evento que desperta a sua alma feérica adormecida no seu corpo mortal – os changelings têm ocasionalmente visões de coisas que “não estão realmente lá”, uma esfera da realidade além da que os outros habitantes do Mundo das Trevas são capazes de percepcionar. Esta é a realidade quimérica, formada de sonhos, esperanças, medos, sentimentos e que, mesmo num mundo cada vez mais Banal, ainda existe em inúmeros lugares. A realidade quimérica é percepcionada pelos changelings ao mesmo tempo que a realidade mundana – não é equívoco então que muitos mortais ou sobrenaturais considerem-nos aéreos e distantes.

Contudo, não é só a realidade quimérica e a mundana que se sobrepõem na vida de um changeling. Embora tenha que cumprir todas as obrigações rotineiras que um mortal normal tenha – teoricamente – este insere-se também numa sociedade Kithain estratificada, de carácter feudal e que distingue a nobreza da plebe, rege-se por títulos, códigos e intrigas, tendo como princípio a manutenção das Propriedades Livres, locais mágicos onde um Lumieiro aquece os changelings com Glamour.

Changelings dividem-se, além de por seus Aspectos – que demonstram as suas faixas etárias – e por suas Cortes – atrás referidas -, em kiths, as raças lendárias de fadas. A principal divisão de kiths é entre os nobres – basicamente os sidhe – e os outros plebeus, os outros oito kiths mais comuns – boggans, eshus, nockers, pooka, redcaps, sátiros, sluagh e trolls. Cada kith, curiosamente, tem uma espécie de comportamento padrão e também uma aparência quimérica recorrente – o seu Semblante Feérico – tal como Direitos Inatos e Fraquezas que lhes são naturais.

Os Kithain são capazes não só de percepcionarem o todo da realidade como também a capacidade de acederem a uma espécie de plano paralelo, o Sonho, o conjunto de todos os sonhos, esperanças e temores da humanidade. Este plano, apesar de muitas vezes estar conectado à Umbra, não faz parte dela, e é o berço de todas as possibilidades dentro do Mundo das Trevas, podendo abrigar tanto maravilhas como terrores antigos.

Existem muitas maneiras de manipular o Glamour. A mais conhecida – e talvez mais poderosa – é a criação de Cantrips, a combinação de Artes – o potencial concretizado de todas as possibilidades mágicas do Sonho – com os Reinos – aspectos da realidade com os quais os Kithain têm afinidade. Os efeitos dessa combinação variam entre si e vão desde a criação de maldições e de ilusões à manipulação do destino. Há também a possibilidade de se fazer um Apelo ao Fado, o que permite a um changeling materializar o seu Semblante Feérico no mundo mortal, e também o poder de tecer um Encantamento, que permitirá a um ser não-feérico percepcionar o Sonho e interagir com esta realidade quimérica. Todos estes poderes, contudo, estão sujeitos aos efeitos das Brumas, uma força não-sentiente que apaga temporariamente – e por vezes permanentemente – as memórias do Sonho das mentes Banais .

O Glamour, cada vez mais escasso, pode ser extraído de várias maneiras. Através das Epifanias, ou devido à permanência em Propriedades Livres. Este necessidade é sempre valorizada pelas fadas, independentemente da sua Corte ou Aspecto. Conseguir ter acesso a tal energia, contudo, é cada vez mais difícil, devido não só à proliferação de pessoas cada vez mais Banais com também devido ao fim cada vez mais generalizado dos sonhos e da inocência.

Dando-lhe agora uma vista de olhos não estou muito contente com os termos Propriedades Livres e Lumieiro. Mas também não tenho uma ideia de como os traduzir neste preciso momento.

Para quem não conhece este texto é acerca de um jogo de RPG chamado Changeling: the Dreaming da White Wolf Game Studios que já está descontinuado. O seu sucessor espiritual é o Changeling: the Lost que ainda é mais brilhante que o antecessor.

Encontros & Desencontros: Report da LeiriaCon e do TáQuinas D&D Gameday

Bem, passados alguns meses desde a LeiriaCon 2010 (esta ocorreu a 30 e 31 de Janeiro na Quinta do Pinheiro, perto de Alcobaça) e algumas semanas desde o D&D Gameday em Coimbra organizado pelo grupo TáQuinas (a 20 de Março deste ano) eis que me decidi a relatar por escrito as minhas impressões e conclusões acerca dos dois eventos, especialmente no seu papel de divulgação e promoção do RPG.

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Sopa do RPG no podcast do Jogador-Sonhador

Depois de tanto falar em se fazer um podcast Português de RPG a mais do que uma voz (o pessoal do Taquinas acabaram por o fazer primeiro!) e na minha predisposição em fazê-lo eis que o Ricardo Tavares do Jogador-Sonhador me convidou para fazer um episódio acerca do evento de RPGs que organizámos na LeiriaCon 2010 e do Warhammer Fantasy Roleplay 3rd Edition.

Para quem possa estar curioso acerca de como as coisas correram aconselho-vos vivamente a ouvirem este episódio como também um dos episódios anteriores onde o Ricardo ilustra a sua perspectiva pessoal do evento e faz uma apresentação dos jogos que jogou.

Nos primeiros 7 minutos falámos da LeiriaCon e depois logo em seguida surge uma surpresa inesperada enquanto estava a falar do meu primeiro contacto com o Warhammer. Falámos das razões que me levaram a comprá-lo e das minhas expectativas. Falámos do que acho que seja a mais valia do universo do Warhammer e deste novo sistema de jogo. Entrámos em grande detalhe quanto aos componentes e algumas mecânicas inovadoras. Até fizemos comparações entre este e o D&D 4th Edition num dado momento onde acabei por falar do plano da Wizards of the Coast de lançar uma nova Caixa Vermelha e a linha Essentials para a presente edição de Dungeons & Dragons. E eu expus a minha teoria de que esta medida vêm um pouco em seguimento do sucesso do WHFRPG3.

De qualquer modo é de assinalar também o tom metálico que de vez em quando o Skype dá à minha voz, o telefonema de um dos jogadores do meu grupo de RPG que interrompe a conversa e os miados do gato e o ruído das limpezas cá em casa. :)

Se quiserem comentem aqui ou no site do Jogador-Sonhador no podbean as vossas impressões acerca do podcast.

Entrevista no BEJRPG – “Bom é jogar RPG além-tejo”

No verão fui entrevistado por uma excelente comunidade de jogadores de RPG que têm a vista a divulgação do RPG nos seus aspectos mais apelativos e positivos. Fica desde já o meu agradecimento pelo interesse demonstrado.

Segue de em seguida a entrevista que me foi feita pela Campanha BEJRPG

Foi feita a entrevista com João Mariano, um jogador e mestre de RPG de Portugal, o qual teve contato com a Campanha Bom é Jogar RPG através da internet e os parceiros aqui no Brasil, mostrando assim que além de o RPG ser um jogo sem fronteiras é também uma forma de fazer inúmeras amizades em todas as partes do mundo.

Qual é seu nome e idade?

João Mariano e tenho 30 anos de idade

Com que trabalhas?

Sou Professor de Inglês e Português

Como conheceu a campanha Bom é jogar RPG?

Bem há já uns anos que vou entrando em contacto com a cena brasileira do RPG. Comecei por descobrir a Rederpg, e daí fui seguindo para outros sites e blogues.

Comecei a conhecer melhor o BEJRPG através dos twitters dos autores da Paragons para qual agora colaboro e fiquei bem impressionado com a vossa reportagem em direto ao vivo durante a RPGCon (a melhor convenção organizada em menos tempo que conheço).

O que você espera da Campanha Bom é Jogar RPG?

Eu espero que a Campanha consiga divulgar o RPG no Brasil e noutros países de expressão portuguesa, como sendo uma atividade criativa, social e de baixo custo, onde a contextualização do saber possa ser aplicada de maneira não tipificada e por descoberta.

Em Portugal não temos problemas com a exposição nas Mídias, porque ele por cá é virtualmente desconhecido, à parte de algumas reportagens em revistas semanais ou há largos anos quando o AD&D (Advanced Dungeros & Dragon) foi lançado em fascículos semanais de um jornal. Por isso espero que o BEJRPG ajude a divulgá-lo também cá em Portugal como um fenômeno internacional que leva as pessoas a divertir-se usando a imaginação.

Então, a imprensa em Portugal é bem mais aberta e acessível ao RPG?

O uso das potencialidades da Web 2.0 deveria criar um precedente cá por Portugal para avançarmos na uso da redes sociais da internet e juntar todos os grupos isolados uns dos outros. Por vezes cá em Portugal joga-se um específico jogo de RPG e não RPG em geral. A imprensa em Portugal é aberta porque não conhece o RPG. Presumo que se alguma vez o RPG crescer em popularidade possa acontecer o mesmo que o que aconteceu no Brasil.

Se houver tentativas de divulgação organizada perante os Mídias, como já houve com os jogos de tabuleiro, não duvido que não nos dêem atenção. Os jogos de tabuleiro já foram a programas diários na televisão estatal com demonstrações e algum tempo de antena. Cá temos o problema de sermos uma pequena população de jogadores e muito fragmentada ao contrário da vossa iniciativa que demonstra ser um grupo mais coeso

O que estaria faltando para o RPG ser mais divulgado em Portugal?

Bem existem muitas teorias, as duas mais populares é que se deviam organizar mais eventos de jogo com demonstrações para mostrar o RPG como uma atividade social e gratificante e que deveria existir também um RPG em Português publicado em Portugal.

Eu acho que essas duas teorias dificilmente passarão à prática devido a haver poucos fãs de RPG e/ou com interesse de organizar eventos de RPG ou até comprar material nacional, mas acho também que se devia começar por algum lado.

Não existem editoras interessadas em publicar RPG em Portugal?

No momento não existem editoras interessadas, não. A Devir tem uma sucursal cá, mas não edita nada a nível nacional a não ser comics e jogos de tabuleiro.

Qual a dificuldade de achar material de RPG na língua portuguesa?

Aliás é bastante difícil até comprar e encomendar o próprio material brasileiro deles. Um exemplo é a existência de apenas duas cópias do Mundo das Trevas e Vampiro: o Réquiem na loja de Lisboa (que pelo que parece não existem em mais lado nenhum do país). No caso do material de Devir deve haver também com o custo proibitivo e dificuldades de importação que mantém esta situação

Quando foi o seu contato com o RPG?

O meu primeiro contacto? Há mais de 15 anos tinha um amigo de um amigo que jogava AD&D 2ª edição e que depois de eu ter mostrado algum interesse devido a conhecer e jogar os livros das Aventuras Fantásticas da Editora Verno (Fighting Fantasy em Portugal) e os jogos de computador de aventura e RPG convidou-me para experimentar o AD&D no cenário de Ravenloft. Como a sessão foi improvisada acabei por jogar com as características de uma folha de personagem copiada de um personagem do universo de Dragonlance! (risos) Joguei com um feiticeiro e tentei matar uns lobisomens e a sessão não correu muito bem mas fiquei com o “bichinho” do RPG. Mais tarde consegui pôr a mão na Caixa Vermelha de D&D que tinha sido traduzida e publicada em Portugal pela Império (uma empresa que faliu pouco tempo depois) e para quem não conhece é conhecida nos Estados Unidos como a edição Metzer de 1983.

Daí saltei para o Shadowrun através de um livro fotocopiado (xerox) e depois experimentei Vampire: The Masquerade 2nd Edition, o ínicio do meu grande interesse pelo Mundo das Trevas, em especial o Dark Ages. O meu primeiro RPG livro comprado foi o Call of Cthulhu 4th Edition e foi uma aventura ir comprá-lo de propósito a Lisboa pois sou de Setúbal, uma cidade a 50km de distância, e a viagem de comboio de 1h30m era um grande saga para mim na altura..

Você e um professor, você usa ou pensa usar o RPG em suas aulas?

Eu tento sempre usar o RPG na aulas sempre que posso. O RPG permite, segundo Vigotzky, um teórico da psicologia e educação, uma contextualização do saber ou seja contrariar o facto de por vezes os conhecimentos serem adquirido sem um enquadramento do real devido às limitações das salas de aula.

Como, por exemplo, transpôr o universo das Descobertas para uma sala cheia de cadeiras e carteiras e um quadro branco (que substituíram só os pretos de ardósia há pouco tempo)? No ensino do Inglês os professores aprendem durante a sua formação, a usar a atividade do RPG mas esta passa mais pela dramatização de diálogos do que propriamente a representação e jogo.

Na minha opinião, num RPG os jogadores são igualmente autores e audiência, não existindo propriamente necessidade nem razão para a existência de um palco defronte de uma audiência fora da experiência de simulação e representação ou até as restrições de uma avaliação formal por observação que não estão propriamente interessadas no caráter lúdico do RPG e das suas mecânicas de negociação de input criativo.

Algum dos teus alunos chegou-te a perguntar o que era aquilo que eles estavam a fazer em sala de aula e posteriormente se interessou pelo RPG?

Sim, claro. No seguimento de um actividade que lhes propus tendo como base o RPG mostrei o Dungeon & Dragons 4th Edition Basic Set e o da 3ª Edição também. Ficaram logo curiosos com a imagística de fantasia, das miniaturas e mapas. Contudo é muito difícil partir de um interesse momentâneo para uma demonstração e depois para a fundação de um grupo de jogo. Os alunos provinham de locais longe uns dos outros e tinham ir além dos seus problemas normais de acessibilidade e da existência de um conjunto de atividades que competem pela sua atenção tais como videojogos, cinema, redes sociais e tudo o mais.

O interessante é que a atividade que desenvolvi foi com base no trabalho do site brasileiro Narrativas Iterativas (http://narrativas.incubadora.fapesp.br/portal) que tenta trazer mais pedagogia ao RPG e vice-versa. Aliás, escrevi duas entradas no meu blogue sobre isso.

Que esperas para os próximos anos nesta área do RPG?

Bem, duas coisas principalmente: inovação no paradigma do texto de jogo e nas mecânicas. Quanto ao primeiro, posso dizer-te que sou um grande fã do novo e diferente e tenho acompanhado a (agora “velha”) nova vaga dos RPGs “indie” americanos tais como o Dogs in the Vineyard, o Primetime Adventures, o Burning Wheel e o The Shadow of Yesterday.

A maioria das inovações mecânicas que eles anunciaram eram técnicas que todos os MJ já usavam informalmente nas suas mesas mas nunca tinham sido introduzidas diretamente no texto de jogo. Alguns pressupostos tradicionais do RPG também foram demolidos face à experimentação por ela própria: a ausência de Mestre de Jogo num jogo onde todos têm direitos de narração criativa, a definição de terminologia tornada mecânica durante o próprio jogo e tudo o mais.

Eu espero que estas novas ideias (ou, pelo que parece, velhas ideias numa roupagem bem mais vistosa) que são interessantes apareçam cada vez mais nos jogos de RPG. Algumas delas já apareceram nos jogos mais vendidos tais como o Vampire: The Requiem, ou no novo D&D que deixou de lado o aspecto “vamos simular tudo e mais um par de botas”. Uma coisa que espero é que o livro deixe de ser o meio de transmissão de regras. Os japoneses já andam a pôr manuais de regras na Nintendo DS num jogo em cartucho que até corre os combates pelo MJ e já se pensa em usar os novos Smartphones para fazer coisas ainda mais futuristas como usar Realidade Aumentada através da câmara de vídeo embutida. Espero que um dia as regras sejam verdadeiramente de licença aberta e os conteúdos fictícios e mais literários sejam Propriedades Intelectuais comerciais mas não as implementações inovadoras das regras que serão distribuídos gratuitamente com a possibilidade de qualquer pessoa os desenvolver.

Qual recado você deixa para os jogadores de RPG de hoje e a próxima geração?

O recado? O RPG como atividade humana lúdica e até artística nunca irá acabar mas sim transformar-se, quer isso passe por uma atividade artesanal com distribuição gratuita, por um hobby caro e de luxo só para alguns velhotes como eu ou para se transformar noutro hobby totalmente diferente como espero que o novo MMO do World of Darkness seja: um mistura de RPG de mesa e eletrônico mais perto um do outro que até então. Eu estarei cá para o jogar, ler e discutir e espero que todos vocês também o estejam. Pois uma vez que o bichinho te “morda” ele pega-te para sempre!

Aonde podemos te achar na grande rede?

Blogue pessoal em http://sopadorpg.wordpress.com
Blogue onde escrevo sobre material original com o Rui Anselmo: http://ideonauta.blogspot.com
Sou colaborador do http://www.abreojogo.com, o único site da comunidade portuguesa de RPG e sou colaborador do http://www.paragons.com.br.

Bom esta foi a entrevista com nosso amigo João Mariano que também esta aqui conosco no Bom é Jogar RPG, aqui.

Bom é Jogar RPG – uma rede social brasileira de jogadores de RPG

Há uns meses falei no blogue acerca de “em como as redes sociais de jogadores de RPG afectam não só a experiência de jogar como também a disseminação e divulgação do hobby.”

Entretanto, de lá para cá, cheguei à conclusão de que usar a Internet na sua versão Web 2.0 para ajudar a reforçar a rede social seria demasiado complicado e precisaria de bastante organização de esforço construtivo o que incluiria alguma habilidade em marketing, design e programação.

Mas heis que dou conta do projecto Bom é Jogar RPG:

A campanha Bom é jogar RPG é uma iniciativa para que pessoas possam fazer amigos, se divertir e estimular a criatividade através de um jogo fantástico. Unindo cultura, interação social e entretenimento numa só campanha para todo o Brasil.

Participe de nossa rede social e fique informado de tudo que acontecer na campanha, faça amigos, divulgue seu grupo ou clã, ache mestres e ache jogadores.

A campanha Bom é jogar RPG pretende estabelecer encontros em todo o país com mestres e jogadores voluntários, criando uma rede de amigos e pessoas dispostas a se divertir de maneira saudável e respeitosa. Serão estabelecidos também: debates, campanhas sociais em escolas e ONGs e outras formas dinâmicas (online ou não) para que o RPG possa cada dia mais ter novos jogadores e ser mais reconhecido como ferramenta interessante de interação social, cultural e de diversão.

Esta rede social está sedeada no NING, um facilitador de criação de redes totalmente gratuito, e já alcança os quase 600 membros. Este tem um design elegante e simples, uma sala de chat on-line, fóruns, lista de grupos de interesse, patrocinadores (inclusive um documento de apresentação para a angariação destes), reportagens em directo da RPGCon, uma convenção nacional, e até deram entrevistas a um estação de tv local.

Isto acontece porque o Brasil tem uma grande população de jogadores o que lhe garante muita expressividade e presença em vários media, um mercado auto-suficiente com produtos profissionais e importância e massa crítica o suficiente no mundo do hobby para ter convenções com convidados internacionais provenientes de editoras estrangeiras.

Contudo a exposição e dimensão que o RPG tem atraíu a atenção
dos jornais e televisões que o associaram falsamente a crimes e foi catalogado como satanista por algumas igrejas. Daí o grande ímpeto desta iniciativa de harmonizar e juntar toda a comunidade de jogadores sobre a ideia de o RPG é um hobby interessante e tão pernicioso como outro qualquer.

Felizmente essa não é uma bandeira sob a qual temos de nos reunir aqui em Portugal. Por outro lado a ideia de divulgar um hobby pouco caro, estimulante da imaginação e capaz de criar uma socialização construtiva deveria ser o suficiente para juntarmos os diversos grupos dispersos por aí e formar uma nova sinergia.

Assim que for temos aqui um bom exemplo e uma mina de ideias a copiar. Que esses tempos venham depressa. :)

Novo blogue, nova viagem!

Uma das ideias que tinha pensado para pôr em prática no Sopa do RPG era a produção de materiais originais de introdução ao RPG em língua portuguesa baseados nos poucos RPGs na nossa língua quase disponíveis no mercado. Eventualmente iria postar aqui algumas apresentações/apreciações do Mundo das Trevas e Vampiro: o Requiém da Devir (edição brasileira do jogos de terror misterioso e gótico da americana White Wolf), do Manual 3D&T Alpha (RPG brasileiro de animé/mangá de acção!) e o modo como as ia usar para atrair novos jogadores e garantir a sua participação na rede de roleplayers.

Entretanto, os meus planos mudaram com ajuda do Rui Anselmo. Finalmente decidimos criar um blogue onde possamos desenvolver e publicar, de maneira gratuita, as nossas ideias para novos materiais de RPG. O blogue é recente e está localizado também no serviço da WordPress, em ideonauta.wordpress.com. Não tem nada de interessante a apresentar por enquanto mas acho que já a partir de quarta-feira será publicado a primeira secção do Sistema Solar, a edição portuguesa da versão genérica (Solar System) do sistema de regras do The Shadow of Yesterday em licença aberta Creative Commons desenvolvida e escrita pelo finlandês Eero Tuovinen. Não será único jogo para o qual se irá produzir material pois não pensamos previlegiar nenhuma filosofia ou estilo de jogo em especial. Já discutiu a possibilidade de escrever algo para o True20, Mundo das Trevas, e 3D&T respeitando os direitos dos seus autores e até a criação de jogos originais.

Até lá, acompanha-nos numa viagem pelo ideoportos do ideoespaço! :)